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Zezé Di Camargo e Luciano
A saga dos 2 Filhos de Francisco

Camargo e Camarguinho, o início de tudo
Fã de Tonico e Tinoco, seu Francisco, um lavrador de Pirenópolis, cidadezinha do interior de Goiás, acalentava um sonho: ter dois filhos homens que pudessem formar uma dupla sertaneja. Quando nasceu Mirosmar José, o primogênito da família Camargo, cobrou da mulher, dona Helena: - Agora precisamos da segunda voz.. Um ano depois nascia Emival, o parceiro que faltava.
Quando Zezé, o filho mais velho, completou três anos, ganhou do pai uma gaita. Mais tarde, com o dinheiro que vinha da lavoura, seu Francisco comprou uma sanfona e um violão para os filhos, que àquela altura já formavam a dupla Camargo e Camarguinho. Como eles tinham vergonha, eu dava dinheiro escondido para os outros pagarem os dois depois que cantassem. Era para incentivar, relembra seu Francisco. A dupla-mirim se apresentava em circos e rodoviárias. Em 74, a família foi para Goiânia, sempre em busca do sonho de seu Chico, o de transformar seus filhos numa dupla. Lá, Welington, irmão nove anos mais novo que Zezé, adquiriu paralisia infantil. Partimos de ônibus, levando os filhos e a graça de Deus, conta dona Helena.

Vida dura na Capital
Em Goiânia, os Camargo passaram a morar num barraco de dois cômodos. O telhado era remendado com papelão e latas. Seu Francisco arrumou emprego como servente de obra. Dona Helena trabalhava como lavadeira.
A dupla Camargo e Camarguinho, que tocava canções de Tonico e Tinoco e de outras duplas da época, vez ou outra ganhava a estrada para se apresentar no interior do país. Numa dessas viagens, quando os garotos tinham 12 e 11 anos, um acidente de carro tirou a vida de Emival.
Os filhos de seu Francisco voltavam de uma apresentação em Imperatriz, no Maranhão, numa espécie de lotação. Zezé teve apenas um ferimento próximo ao olho. Emival não voltou para casa.
Éramos os irmãos mais ligados. Fiquei traumatizado, revela Zezé. A primeira vez que ele voltou para Imperatriz, alguns anos atrás, teve uma crise de choro em pleno aeroporto.

Zezé segue o seu caminho
Mesmo com a falta do irmão, Zezé não desistiu da música. Com 13 anos já trabalhava como office-boy. Aos 15 era o Zé Neto do trio Os Caçulas do Brasil, com o qual chegou a gravar um disco. Em 79 formou parceria com um amigo de Goiânia, dez anos mais velho e remanescente do trio.
A carreira da dupla Zazá e Zezé, que teve boa expressão em Goiás e no Mato Grosso, deu origem a três LPs. Mas não vingou porque Zazá tinha planos regionais. Zezé queria ganhar o país.
Em 1987, Zezé resolveu partir para São Paulo e tentar carreira solo. Gravou dois discos pelo selo Três M, já extinto (hoje esses trabalhos pertencem à Warner). Por essa época, algumas de suas composições já eram sucesso nas vozes de duplas consagradas, como Chitãozinho e Xororó. Apresentei Solidão ao Leonardo, mas achava que ela deveria ser gravada pelo Amado Batista. Mas o Leo gostava muito da canção. Fez um playback sem me avisar. Só contou quando já tinha decidido gravá-la, diverte-se Zezé. A música acabou estourando nas vozes de Leandro e Leonardo.

Luciano entra em cena
Apesar das composições bem-sucedidas, o filho mais velho de seu Francisco queria mesmo era emplacar como cantor. Welson David, irmão dez anos mais moço, imaginava que Zezé estivesse fazendo sucesso em São Paulo. Vi você no programa do Bolinha, ligava, todo orgulhoso. Não desconfiava que os tempos eram de vacas magras e quem segurava as pontas - e as contas - na casa de Zezé era, muitas vezes, Zilú, sua mulher.
Welson trabalhava como office-boy em Goiânia, e contava em casa que cantava no clube da Caixego (Caixa Econômica de Goiás, onde era funcionário). No Natal de 1989, o mano mais velho foi visitar a família em Goiânia. Welson aproveitou para mostrar o que sabia, mesmo sem nunca ter cantado profissionalmente. Vi que ele tinha tino para a coisa, lembra Zezé. Comentei com a Zilú e ela deu a maior força, afinal era meu irmão, novinho, boa pinta e sem vícios. Zezé precisava mesmo encontrar um parceiro. Ele estudava propostas de algumas gravadoras, que só fechariam contrato se o cantor formasse novamente uma dupla.
Combinaram de se encontrar em São Paulo depois de um mês. Deram início aos ensaios. Zezé às vezes se irritava com o irmão mais novo. Ele começava bem, mas passava para a minha voz.

Fincando o pé em Goiânia
Por pouco Zezé não manda o irmão de volta para a casa dos pais, depois de Welson ter se metido numa briga. Quem não deixou foi a Zilú, recorda. Na hora de escolher o nome para a dupla, os dois passaram a ver qual soaria melhor ao lado de Zezé Di Camargo. Que tal Luciano?, arriscou Zezé. Por que não Luciano, sugeriu Welson. Feito. Fecharam contrato com a gravadora Copacabana.
Com o repertório definido e faltando um dia para a dupla entrar em estúdio, Zezé teve um estalo e compôs, de sopetão, É o Amor. Insistiu com os executivos da gravadora e acabou conseguindo incluir a faixa no LP. Antes mesmo de o disco sair, Zezé Di Camargo deixa uma fita com É o Amor na rádio Terra FM de Goiânia. Seu Francisco, sempre incentivador, comprava 500 fichas telefônicas por semana e as espalhava pela vizinhança. Ele dizia para que ligassem para a rádio e pedissem a música que seus meninos haviam acabado de gravar. Funcionou: em 15 dias É o Amor era a mais pedida da cidade.

Compositor de Mão-Cheia
Antes de emplacar um hit atrás do outro cantando ao lado do irmão Luciano, Zezé Di Camargo já conhecia o gostinho de ver músicas suas nas paradas de sucesso de todo o país. Ele compunha principalmente para amigos famosos como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo. Ele assina, em média, seis faixas de cada CD da dupla. Suas letras, com raríssimas exceções, falam do amor e suas dores, tema que ele considera universal, com o qual todos se identificam. Quem nunca sentiu uma dorzinha de cotovelo que atire a primeira pedra.
Em resposta aos críticos que acham que Zezé deveria compor músicas sertanejas de raiz, ele costuma dizer: A miscigenação é nossa característica mais forte. Não existe raça pura no Brasil e, conseqüentemente, não existe ritmo puro. Exigem que os sertanejos façam música de raiz. Chico Science misturou rock com maracatu e a mídia aplaudiu, por quê nós teríamos de cantar um ritmo puro? Mas nunca negou suas origens. Tenho orgulho do gosto de terra no céu da boca, declara.

A conquista do Brasil
Em 19 abril de 1991 Zezé Di Camargo & Luciano lançam seu primeiro disco. Em dois meses É o Amor, alçava seus intérpretes ao primeiro lugar no hit parade. Em seis meses o CD de estréia dos cantores ganhava disco de platina triplo por 750 mil cópias. Em pouco mais de um ano atingia a casa de um milhão de cópias.
Daí em diante, Zezé Di Camargo e Luciano não pararam mais. Todos os álbuns são sinônimo de sucesso e a cada lançamento a marca de um milhào de cópias sempre é superada. No ano de 2003, a dupla foi agraciada com dois prêmios importantíssimos: da Academia Brasileira de Letras (como melhor dupla) e o Grammy Latino como melhor álbum de música sertaneja. Em 2004, ganham novamente o Grammy Latino na categoria de melhor álbum de música romântica.
Novos fãs se unem a milhares a cada ano . Recentemente uma pesquisa sobre o perfil da juventude brasileira, realizada pelo Instituto da Cidadania e pela Fundação Perceu Abramo (publicada no jornal O Globo e nas revistas Isto É e na Veja Especial Jovem, entre outros veículos), indica Zezé Di Camargo e Luciano como os artistas preferidos pelos jovens entre 15 e 24 anos. Novamente se comprova que, além de manter um grande público desde o início de sua carreira, novos fãs foram se agregando à dupla, pois, no target pesquisado, os mais velhos (24 anos) tinham apenas 11 quando os artistas iniciaram sua carreira.
Em 2005 chega às telas brasileiras o filme 2 Filhos de Francisco , que mostra a trajetória da dupla até alcançar o sucesso . O filme se torna o de maior público dos últimos 25 anos e é indicado para representar o Brasil no Oscar .
Ao completarem 15 anos de carreira , alcançam a marca de 22 milhões de cópias vendidas. Uma comprovação da enorme popularidade da dupla é que 22 milhões de cópias, em 15 anos de carreira, significam aproximadamente 3 (três) CDs vendidos por minuto, ininterruptamente O ano de 2006 ainda proporcionou a dupla novas e excelentes premiações como o Prêmio TIM de Música, realizado no Teatro Municipal, Rio de Janeiro , no qual Zezé Di Camargo e Luciano levaram para casa o prêmio de Melhor Dupla de Canção Popular. A consagração continuou com o Prêmio Contigo de Cinema , sabiamente realizado no Museo Histórico Nacional , no qual o consagrado 2 Filhos de Francisco foi o grande vencedor da noite recebendo vários prêmios , como o de melhor filme do ano, pelo júri popular; Ângelo Antônio foi apontado como o melhor ator , Dira Paes levou o prêmio de melhor atriz. e Zezé Di Camargo e Caetano Veloso pela melhor trilha sonora
No segundo semestre a dupla lança seu 16o álbum de carreira , o primeiro com título,Diferente . O cd , a exemplo dos anteriores alcança rapidamente a liderança de vendas no mercado brasileiro e também o 1o lugar de execução nacional com a música Diz pro meu olhar . Com participações de Ivete Sangalo ( Amor que Fica ) , Chico Buarque ( Minha História ) e Silvinha Araújo ( How can i go on ) e uma grande e boa surpresa , a interpretação de Luciano para a versão em português de Hey Jude com Zezé Di Camargo ao piano . Com uma média de 130 shows por ano, mais de um milhão de cópias por CD lançado, participação em campanhas publicitárias e licenciamento de marcas , está mais do que comprovada não só a popularidade como o retorno proporcionado a vários parceiros de múltiplos segmentos
Tudo isso vem comprovar que Zezé Di Camargo e Luciano, além de boa imagem pessoal e social, demonstram competência nas artes, especificamente na música , possuindo enorme credibilidade junto a todos os segmentos da população brasileira.
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